Sejam Bem Vindas (o), finalmente consegui colocar meu blog no ar, espero poder mantê-lo sempre bem atualizado. Criei este blog no intuito de ajudar gestantes e futuras gestantes a se informarem mais sobre o processo gestacional vivido ou desejado... Por vivermos em um mundo capitalista e consumista hoje quando engravidamos a primeira preocupação sempre é com enxoval, quarto, chá de bebe etc... E esquecemos um pouco desse processo de tamanha magnitude que é gestar, dar a vida a um outro ser. Infelizmente mais de 50% das mulheres hoje fazem cesaria por opção, pois para elas não mais existe outra forma de "dar a luz", e ter um parto natural sem intervenções usufruindo dos benefícios do próprio corpo, é totalmente absurdo e totalmente anormal.
O nosso principal trabalho é o condicionamento da mente porque o corpo já está pronto. Lembrando sempre que a cesariana é um ótimo recurso se bem indicado, então não somos contra esse tipo de interferência! Aqui no blog postarei alguns artigos que possam ajudar no condicionamento da mente e preparo do corpo! Espero que gostem e por favor postem também opiniões, sugestões etc....

Grata

Relato de Parto – Carol, Patrik e Joaquim
Quando pensava em ter um filho sempre tive na mente que eu queria um parto normal, porque como o próprio nome diz é “normal” né? Pra mim “mulher corajosa” sempre foi aquela que estava disposta a deixar alguém cortar sei lá quantas camadas do seu corpo, quando o bebê pode sair sem deixar nenhuma cicatriz.
Mas bem, descobrimos que estávamos grávidos no dia 18/11/2011 e passado todo o êxtase inicial da descoberta fui procurar um(a) obstetra do meu convênio mesmo. Comecei as consultas pré-natais com esta médica, mas também comecei a ler alguns artigos e blogs na internet sobre gravidez e parto e fui descobrindo tod um novo mundo chamado “Maternidade Ativa”. Cheguei ao site do GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) e lá aprendi o que era uma doula e decidi que queria uma pra mim (rs).
Junto com o meu marido em uma consulta perguntei a essa médica sobre as questões do parto e a resposta dela foi de que era muito cedo para pensar nisso, mas que de qualquer forma eu não deveria criar muitas esperanças sobre o parto normal para não me frustrar, já que diversas condições podem levar a uma cesariana. E aí ela fez uma lista de todas as complicações e completou dizendo que o estilo de vida da mulher atual dificultava as coisas também.
Para tudo! Como assim? E o que dizer dos EUA, onde mais da metade da população está acima do peso e os índices de parto normal são superiores aos de cesárea.
Mas continuei indo nesta médica, só que me informando cada dia um pouco mais. Nestas buscas encontrei a doula Priscila Rezende, que apesar de não poder me acompanhar no parto foi até a nossa casa e esclareceu várias das nossas dúvidas.
Para o meu marido toda essa discussão não fazia o menor sentido, porque ele é suíço e por lá cesárea é indicação médica para casos graves, quando o parto vaginal realmente não é possível. Por essa razão o apoio dele foi ainda mais forte.
Depois da conversa com a Priscila comecei a sentir uma angústia e um aperto no coração. Eu vi ali que o que eu buscava era na verdade um parto humanizado, fosse ele vaginal ou cesárea, e que eu não conseguiria isso com a minha médica atual (triste!).
Assim, com 28 semanas conheci a Dra. Deborah. Foi paixão à primeira consultaJ Adorei a posição dela sobre parto e a forma como ela tratava as pacientes. Para mim ficou claro que aquele era o caminho a seguir, pois eu sabia que ela respeitaria nossas decisões e, principalmente, não me submeteria a uma (desne)cesárea.
E por indicação da Déborah nós encontramos a Natália, nossa doula querida. Com as duas nas nossas vidas ficou mais fácil tomar as decisões para o momento mais importante das nossas vidas. E com as conversas com a Natália e depois de ler muito eu já tinha chegado à conclusão de que a primeira opção seria por um Parto Natural, sem anestesia e sem qualquer outra intervenção, a não ser que a Déborah considerasse necessária.
As semanas foram passando e a minha DPP era dia 27/07, mas eu já estava falando pra todo mundo que seria em agosto, porque não queria aquela pressão das últimas semanas e gente falando que o Joaquim iria passar da data.
No dia 17/7 eu fui ao consultório da Déborah para mais uma consulta. Chovia muito (aliás, a última chuva que tivemos até hoje pelo menos), mas lá fui eu de ônibus e metrô (!!). Pela primeira vez ela vez um exame de toque e disse que a cabecinha dele já estava encaixadinha, mas que o colo ainda estava alto. Ei fiquei tranquila porque realmente achava que ainda levaria mais uns 15 dias e ela também concordou.
Voltei pra casa, fiz a janta, comemos e fomos dormir. Deitei na cama por volta das 23h e senti uma contração. Como na semana anterior nós tínhamos sido enganados com algumas contrações de treinamento, fiquei bem tranquila e nem dei muita atenção. Dali a pouco, mais uma contração (um pouquinho mais forte do que as da semana anterior). Decidi levantar para não acordar o Patrik e fui ao banheiro. E para minha surpresa a bolsa estourou ali mesmo.
Acordei o Patrik, mas estávamos calmos. Já tínhamos lido que depois que a bolsa estoura ainda pode levar um tempo para o trabalho de parto iniciar. Liguei para a Natália para avisar, depois pra Déborah e decidimos que eu ia ficar em casa, tentando dormir e guardando forças para quando a coisa realmente ficasse mais intensa no outro dia.
O Patrik foi abastecer o carro e eu voltei pra cama. Só que era impossível ficar na cama. Assim que eu deitei veio outra contração e mais outra. Bom, conclui que o TP havia começado. Mas tudo bem, era minha primeira gestação e a evolução do TP seria lenta, começando com contrações espaçadas e eu já estava preparada para umas 12 horas de TP.
Só que aí logo veio outra contração. Dali a pouco outra. E eu comecei a me perguntar onde é que estavam aquelas contrações com intervalos de 10 minutos para eu poder descansar. Comecei a contar os intervalos: 3 em 3 minutos!
Comecei a caminhar pelo apartamento, fazendo as respirações e as posições que eu havia treinado, porque já estava impossível ficar deitada. Quando o Patrik voltou, eu já estava na sala urrando de dor. Sim urrando, porque vem um espírito animal que vc sente vontade de urrar mesmo, não de gritar.
Ligamos pra Natália e enquanto conversávamos veio mais uma contração e ela percebeu que a coisa estava bem adiantada. Pediu ara eu ligar para a Déborah, porque ela achava melhor irmos pro Hospital. Ligamos pra Déborah e ela “ouviu uma contração” e a a opinião foi a mesma.
E eu me perguntando: cadê aquelas contrações com intervalos para eu poder descansar!!
Fomos pro Hospital e quando chegamos, por volta da 1h da manhã, eu já fui direto pro pré parto e a enfermeira fez o exame de toque e já confirmou: 7 centímetros. Tudo isso em 2 horas?? Puseram o cardiotoco e eu fiquei lá esperando a Natália. O Patrik, coitado, resolvendo a papelada na recepção.
Quando a Natália chegou nós fomos pra sala de parto. Eu andando mesmo, porque era impossível sentar ou deitarJ Quando eu cheguei lá as contrações estavam super fortes. Eu sabia que aquele era o momento em que as mulheres pedem por anestesia e batem nos maridos. Só não bati no meu porque ele ainda não tinha chegado.
A Natália chegou lá e me colocou na banheira e aí veio o primeiro alívio. Nossa! 70% da dor que eu estava sentido foi embora com a água quente da banheira e a massagem dela. Lá estava bem gostoso, mas não confortável o suficiente para o parto.
Quando o Patrik e a Déborah chegaram eu saí da banheira, mas ficamos ali no banheiro mesmo. Eles trouxeram o banquinho para eu ficar de cócoras e aí a Déborah e a Natalia sentaram no chão e ficaram lá esperando o Joaquim chegar.
Nesta fase final o apoio do Patrik foi fundamental não só psicológico, mas também físico, porque eu só conseguia fazer força nas contrações quando eu me apoiava nele. Ali nós ficamos umas duas horas (acho, né!) e aí começaram a vir as últimas contrações. E foi impressionante a vontade de empurrar neste momento. Eu só queria que elas não parassem E a dor das contrações? Não sei! Não lembro muito bem, mas com certeza nem se comparavam com aquelas que eu sentia quando cheguei ao hospital.


E com os puxos comecei a sentir a cabecinha dele saindo. A Déborah disse “mais uma” e aí veio o tal do círculo de fogo, minimizado graças a 3 semanas de treino com o Epi-No. E então saiu a cabeça. Alívio imediato e indescritível. Mais umas contrações e então ele saiu totalmente. Foi maravilhoso ouvir aquele chorinho, soluçado (que ele faz até hoje, a propósito).
Ele nasceu às 3h25,no dia 18/07, depois de APENAS quatro horas de trabalho de parto!
Poder sentir meu filho, inteiro, no meu colo. O Patrik ali do meu lado. Foi tudo impressionante e maravilhoso. E ver que eu consegui. Não fisicamente, porque quando eu ponho algo na cabeça eu vou até o fim, mas saber ali que nós superamos os obstáculos que a sociedade e o nosso sistema de saúde têm imposto às mulheres para que um parto normal não ocorra.




 
Eu só tenho a agradecer. À Natália, por todo o apoio antes e durante o parto. À Déborah pela paciência e pela humildade, deixando que nós fôssemos os protagonistas. E, claro, ao meu marido, que sempre esteve ao meu lado, apoiando todas as minhas decisões, principalmente a de trazer o nosso filho ao mundo por meio de um parto humanizado.
 
 

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